Maratona de Berlim 2013

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segunda-feira, 4 de junho de 2012

Foz do Iguaçu: não se pode banhar duas vezes no mesmo rio



Amigos, sigo firme e forte em direção aos desafios traçados para esse ano, depois de ter me livrado dos fantasmas que tanto me assombraram durante quase um ano.


Está tudo bom demais, me sinto ótimo e vou progredindo a cada dia sem sentir dores. Já completei agora 1 mês sem comer doces. Sei que já perdi algum peso, ainda que não muito. Está dentro do normal para a fase em que estou. Normalmente comigo funciona assim. O primeiro mês é difícil e acabo compensando um pouco a falta de doces com outros carboidratos. Depois as coisas se acomodam e consigo reduzí-los também, acelerando o processo de redução de gordura.


Semana passada tirei uma semaninha de férias com a família na fantástica Foz do Iguaçu, onde havia morado quando criança. Fiz dois treinos ali. O primeiro foi um intervalado, onde fui subindo a ladeira e voltei descendo. No domingo fiz meu longão pela mesma região, que descrevo abaixo:



A família dormia o sono dos justos. A esposa cansada, com congresso e família para cuidar. Os dois pequenos, nos seus sonhos infantis. Dormindo, dois anjos. Lindos. Perfeitos. Ainda que acordados sejam humanos, como todos nós.

Chovia. E eu naquela dúvida se ia pra rua ou tentava a esteira que não tem poesia. Escolhi a pílula vermelha e fui para a rua. Como não levei gel, consegui na véspera dois torrones e um gatorade, que seriam meus suplementos. Seria um longão com ladeiras, às quais já havia sido apresentado alguns dias antes.

Fazia uma temperatura gostosa para correr. Tudo deserto, em pleno domingo, àquele horário. Havia dormido bem, me sentia ótimo. É bom voltar para um local onde se foi feliz, 33 anos depois. Não me lembrava daquelas ruas. Aquela Foz da minha infância ficou na memória. Como diz o filósofo, um homem não se banha duas vezes no mesmo rio, pois muda-se o homem e muda-se o rio.

A saída do hotel é em descida. Bom para esquentar. Aos poucos, o corpo vai se acostumando ao esforço e às (muitas) ladeiras. Depois de uma curta descida, vem uma longa subida. Definitivamente gosto dela. É algo difícil de explicar. Sinto meu coração se acelerar e a vida pulsar no meu corpo. Melhor não forçar muito, que essa é a primeira de várias. Quando noto, a chuva já parou.

A cidade dorme com o barulhinho da água caindo "lá fora". Que bom seria se pudéssemos crescer embaixo de um edredon. Mas não, que a vida não está ali. Lembro-me da corrida da chuva, no Rio, algumas semanas antes. Aqui as sensações são outras, que o rio é outro, ainda que compartilhe as águas que se encontrarão todas no mesmo oceano. Eu também já sou outro, que nesse tempo já cruzei uma ponte e fui feliz por lá e além dela muitas outras águas passaram por debaixo da minha ponte. Sinto que a família e os amigos são meu oceano. E assim me vou...

Encontrei um lugar bacana para correr e vou para a segunda volta. Não me importo de repetir o trajeto. O rio já não é o mesmo. Agora já cruzo com alguém na sua caminhada. O local é bom para isso. Logo volta a chover e me pergunto se a pedestre teve perseverança de continuar na chuva. Há pessoas desmontando algo que parece ser um palco. A cidade vai despertando aos poucos. Meu corpo já está totalmente acostumado ao exercício, agora vai feliz deixando minha alma viajar e meus problemas serem levados e lavados pela chuva.

Terceira volta. Será a última? a cabeça diz que não, que, se está tão bom, não tem porque parar. As pernas, que são os motores da minha alma, começam, no entanto, a me dizer que a prudência tem que ser maior. Afora um treininho ou outro nas ladeiras de Minas, não estou tão acostumado à elas como minha amiga Elis. Hora do último torrone e do último gole do isotônico. Agora minhas mãos estão livres, eu estou livre! A vontade de dar uma volta a mais fica muito forte. Nesse momento me lembro dos meus meses parados, de tudo que passei, o correto a fazer é voltar. Volto. Na vida são necessários sacrifícios para um bem maior. Às vezes é preciso coragem para sair para treinar, em outras coragem para saber parar.


Foz do Iguaçu

Passado e presente
tinha seis anos, mas ainda me lembro
dos parentes que vinham nos visitar
da casa sempre cheia
dos carrinhos, dos quais uma vez tiramos todas as rodas
das plantações das crianças no canteiro
do céu bonito quando o sol se punha, nunca vi outro igual
do brinquedo que colocava atrás da porta e que "ria" quando alguém a abria
do meu pai e da minha mãe


Agora
das cataratas
do macuco e do passeio radical de lancha
do parque das aves, onde meus filhos acariciaram o tucano
e o mais velho teve uma cobra em seu pescoço
da usina, que meu pai ajudou a construir

da ponte da amizade que cruzamos a pé
da corrida na chuva e nas ladeiras
da minha mulher e dos meus filhos


19 comentários:

  1. Viajei legal em seu jogo de palavras Sérgio.
    E saber parar é muito importante mesmo. Parabéns

    Corridas do Luizz

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    1. Valeu, Luiz!
      muito obrigado!
      abração,
      Sergio

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  2. Sérgio,
    Isso é o que chamo de força de vontade. Correr sozinho e com chuva não é moleza.
    Siga correndo bem e feliz!
    Gilmar

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    1. Valeu, amigo! depois de tanto tempo parado, o difícil não é sair para correr, mas parar he he.
      grande abraço,
      te aguardo em julho,
      Sergio

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  3. Belo texto, Sergio! Que legal encontrar seu blog! Estou cansada de descrições burocráticas de treinos e corridas. E obrigada pelo seu comentário no meu post. me comovi! grande abraço

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    1. Cláudia,
      muito fofas suas palavras! Adorei! Muito obrigado! isso aqui para mim é um divã. Com o tempo o blog foi se modificando totalmente. Às vezes me parece que não sou eu que o conduzo, mas que ele tem vida própria...
      Acompanho seu blog desde o 1º iron, e acho que você tem um baita talento para escrever.
      grande abraço,
      Sergio

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  4. muito gostoso seu texto...
    as palavras brincando ao longo do relato, se arranjando, se acomodando, como seu corpo na corrida...
    rio, ponte, oceano...
    passar e sentir, isso é viver ouvindo o burburinho da vida na alma!

    parabéns pelo treino, Sérgio!
    por revisitar com tanta doçura sua infância, partilhando conosco instantes preciosos de sua vida!

    um grande abraço!
    da amiga Baleias que tá doida pra correr até a Mesa do Imperador com você:)

    http://elismc.blogspot.com

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    1. Elis,
      seus comentário são quase um post! Adoro! a vida é uma experiência boa demais quando estamos abertos a aprender cada dia, não é?

      Obrigado pela força!

      Seu blog é minha maior inspiração! o treino na Mesa do Imperador será único e fonte de muito aprendizado. Também estou doido para chegar logo o dia...

      bjs
      Sergio

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  5. Oi Sergio feliz,

    Já participei da Meia de Foz no ano passado e sei que correr lá é tudo de bom.

    Parabéns pela super disposição de sair correndo sozinho e na chuva.

    Bjos,
    Dani
    correndoemagrecendo.blogspot.com

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    1. Dani,

      obrigado pela visita!

      sair correndo na chuva é bom, só não pode virar temporal ;-)

      bjs
      Sergio

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  6. Parabéns pelo texto, parabéns pelas corridas livres de dor!

    Bons treinos!

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    1. Drica,
      Valeu! por algum motivo não estava vendo os comentários mais antigos...
      bjs
      Sergio

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  7. Parabéns pela saúde que não é só física, meu amigo.
    Lindo o seu post!
    Correr na chuva é para poucos loucos como nós kkk
    Aprender e respeitar os limites foi minha maior lição e acho que a sua também
    Lembrar o que é bom é o que nos tira da cama e nos faz ser melhores realmente.
    Continue feliz :-)
    Boas passadas
    http://andreeotenis.blogspot.com

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    1. André,
      muito obrigado, amigo!
      Sem dúvida aprendemos muitas lições correndo, algumas são úteis no próximo ciclo de treinamento, outras na vida... importante é se manter aberto ao aprendizado, não é mesmo!
      muito bacana seu comentário!
      abraço,
      Sergio

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  8. Rapaz me deu até água na Boca pra conhecer Foz !!
    Um dia corro a meia das cataratas !!!

    Abraçoss e parabéns pela bela postagem !!

    Romildo

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    1. Romildo,
      fiquei com vontade de um dia correr essa prova também!
      Obrigado,
      Abraço,
      Sergio

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  9. Adorei o post, Sergio, você está virando um poeta!!

    Muito legal relembrar Foz de Iguaçu. Eu lembro do pé de framboesas, de brincar com nossos primos, das aulas da minha mãe, da gente catando adubo com meu pai, dele jogando xadrez e da minha mãe derrubando a garagem da casa, lembra? rs

    Obrigada. Beijos da irmã, Adri.

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    1. Adri,
      engraçado como as memórias são diferentes. Dessa sua lista aí só me lembro da minha mãe derrubando a garagem he he. As memórias que não coloquei no post foram:
      - do céu com vários tons de amarelo, laranja e vermelho, até bem tarde;
      - da vez em que os homens e meninos fomos pescar e resolvemos comprar peixes na feira para não passar a vergonha de voltar sem nem um para contar história;
      - da minha formatura do c.a.
      Foi muito bom voltar lá. Um dia você também devia ir...
      bjs
      Sergio

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Tenho um enorme carinho pelos que comentam por aqui e procuro responder a 100% dos comentários, aqui na própria seção. Vamos lá, diga aí embaixo o que achou ou qualquer coisa relacionada às corridas...